Ser mãe de recém-nascido é um trabalho em período integral. Não tem noite, não tem final de semana. Na maior parte do tempo, é uma delicia. Em alguns momentos, é cansativo e vc se sente reduzida a um par de peitos :) Amamentar é uma coisa ótima, eu adoro, mas tem horas que a demanda cansa.
Nosso primeiro mês, até agora, tem sido no seguinte ritmo:
- Alice mama (geralmente) a cada 2/3h (contadas a partir do início da mamada). Em cada mamada, a gente leva mais ou menos 1 hora – a Alice mama, pára um pouco para descansar, depois retoma, troco fralda, etc. Sobram os intervalos (de 1 a 2h entre as mamadas) para dormir, comer, tomar banho, escovar os dentes, fazer as coisas de casa.
Fazendo as contas, a Alice mama umas 8 vezes por dia, o que dá um “trabalho” de mais ou menos 8 horas diárias.
- Consigo cuidar da casa, mas o básico: lavo roupa, faço uma comida muito simples, lavo louça, passo as roupas da Alice, etc. Uma moça vem em casa 1x por semana e dá uma geral, faz a limpeza mais pesada e passa a maior parte das roupas.
- As noites são “picadas”, durmo no máximo 3 horas seguidas. Sou meio dorminhoca, adoro dormir umas 8, 9h seguidas, mas o meu sono conseguiu se ajustar ao ritmo da Alice.
- Na 3º semana, Alice passou a ter cólicas no comecinho da noite, principalmente. Isso também demanda um tempo (às vezes 1 hora, às vezes algumas horas), de colo, de carinho, para dar algum conforto para a mocinha.
Algumas coisas são meio chatinhas, como essa “quarentena” em casa. Primeiro tinha as dores da cesárea, que já passaram. Agora consigo andar e dirigir, por exemplo, sem problemas. Outra coisa é que a Alice é muito novinha para ficar saindo a torto e a direito, e eu sou uma mãe totalmente despreparada para sair com ela, ainda me sinto super insegura.
O isolamento é uma coisa chata. Para quem está acostumado a sair e trabalhar, por exemplo, sinto falta de conversar e conviver com as pessoas. Imagine que gosto mais dos finais de semana e feriados agora do que quando trabalhava! Isso pq nesses dias o maridão fica em casa e a gente recebe as visitas.
Mas já estamos programando as próximas saídas da Alice. De pouco em pouco a gente pega o jeito de passear por ai com a nossa gatinha :)
Desde que a Alice nasceu, tenho ficado bastante em casa, tipo 99% do tempo. Primeiro por causa da cesárea, que exige um tempo de recuperação, e depois porque bebê pequenininho não permite muitos passeios, por vários motivos.
Nessa toada, ter acesso à internet se transformou numa das coisas mais importantes do dia-a-dia. Fora conseguir manter algum contato com as pessoas, bater papo e ler e-mails (ou seja, ter algum contato com a humanidade que fica lá fora), nunca resolver as coisas pela internet foi tão providencial. Coisas tipo comprar algo que vc precisa, fazer a feira (descobrimos um pessoal que entrega produtos orgânicos em casa que é sensacional!), resolver as coisas de banco (ok, internet banking sempre foi fundamental, mas nesses momentos, fica mais importante ainda!).
Se cuidar de bebê pequeno já consome boa parte do dia, fico só pensando o que faziam as mães recém-paridas, antes da invenção da internet…
Em 1 mês…
…ela engordou mais de 700 g
…ela cresceu 4 cm
e nós…
…viramos experts na troca de fraldas
…aprendemos a amamentar a Alice (no começo foi meio complicado, mas pegamos o jeito :)
…cuidamos do umbigo da Alice, que agora está lindo e sem coto
…ainda não aprendemos a usar o sling (preciso aprender a usá-lo, urgentemente!)
…dormimos bem menos que em toda a nossa vida
…quase ficamos surdo com o choro causado pelas cólicas dela
…perdemos alguns bons quilos (8,5 Kg até agora!), só da mãe da Alice
Claro que tem muito mais dessa mocinha, mas isso é assunto para um post bem mais longo :)
Participo de uma comunidade muito interessante, o Gama, sobre parto normal, natural, domiciliar e assuntos correlacionados. Cada vez que uma mãe pari, ela posta o relato de parto, e sempre é muito emocionante ler os relatos. No meu caso, não vai ter relato porque eu não pari, mas fui parida. Isso significa que o parto da Alice foi uma cesárea, e não tivemos que fazer nada, fora ficar deitada numa cama, numa sala gelada, tomando anestesia e litros e litros de soro. Mas mesmo assim, resolvi registrar aqui como foi que a Alice iniciou sua aventura do lado de fora da barriga :)
Tudo começou numa segunda-feira, onde eu imaginava mil coisas para a semana, menos que a Alice já estaria aqui, do lado de fora, com a gente. Nesse dia, de manhã, fomos fazer um ultrassom e um cardiotoco, para acompanhar o estado da pimpolha. Tudo muito bem, exceto por um detalhe: o liquido aminiótico estava um pouco abaixo do mínimo.
Tentei falar com a médica mas não consegui. Falei com a minha mãe, que não viu nada de emergencial na situação, já que todo o resto estava muito bem, obrigado. Dito isso, fiquei na maior tranquilidade, fui trabalhar normalmente, continuando a tentar falar com a minha médica.
Só consegui conversar com ela no final da tarde, quase 18h. A médica achou muito sério o nível do líquido e me mandou ir direto para a maternidade, que teríamos que operar o quanto antes. Claro que desconfiei de tanta urgência, eu sabia que a médica estava só esperando um motivo qualquer para fazer a cesárea. Mas, pelo sim, pelo não, fomos para a maternidade. Detalhe: eram 18h de uma segunda-feira, ou seja, pegamos o maior trânsito para ir da Faria Lima até a Paulista. Ainda por cima, tinhamos que chegar em tempo recorde, já que só havia horário no centro cirurgico às 19h30. Só com helicóptero mesmo, né.
De qualquer forma, lá fomos nós. Dei entrada no hospital, sem nem ter tido tempo de passar em casa e pegar nossas coisas. Nessa hora, contamos com a inestimável ajuda da Andrea, tia da Alice, para ir em casa e buscar nossas malinhas. Ponho camisolão, tiram minha pressão, me preparam, e pronto, lá vamos nós à caminho da sala de cirurgia. Eu estava mega-nervosa, já que nunca na minha vida eu havia feito uma cirurgia, nem tomado anestesia, nem nada. Recebo anestesia, daqui a pouco não sinto mais nada (que coisa estranhaaa!), e alguns minutos depois, vejo a nossa pequena do lado de fora! Mais alguns minutos e escuto o choro dela, tadinha da baixinha! Ela também não esperava nascer naquele dia.
Levou bem mais tempo costurar tudo que abriram do que tirar a baixinha de lá de dentro. A sensação é muito estranha e desconfortável. Eu queria mais era que aquilo acabasse logo, para eu sair daquela sala gelada e ir ver a minha pequena.
Para completar, fiquei umas 3 horas na sala de recuperação, tomando litros e litros de soro. Tomei tanto soro que tinha a impressão de ter saido do parto maior do que quando entrei. Minha impressão não estava tão errada, já que após o parto eu estava com 1 quilo a menos, sendo que apenas a Alice tinha nascido com 2,890 Kg !
No parto também descobrimos porque a Alice não descia e se encaixava: ela estava enrolada no cordão. Isso explica porque, nos exames de toque, ela estava lá em cima, ainda, e porque eu não tinha nenhuma dilatação.
Eu tinha vários receios da cesárea, um deles é que o leite demoraria a descer. Felizmente isso não aconteceu e algumas horas depois, a Alice já estava mamando. Mas sim, a cesárea é bem chata, a mobilidade fica toda limitada, dói e vou levar uns 2, 3 meses para voltar a fazer algum exercício.
Hoje faz 26 dias que a Alice está aqui conosco, do lado de fora da barriga. Eu já estou bem melhor da cirurgia, mas ainda sinto umas pontadas onde foram feitos os cortes. Não posso fazer muito esforço ou nada muito pesado. Mas estamos cada vez melhores, e conviver com a baixinha tem sido uma delícia :)
E foi assim que, numa segunda-feira, dia 9 de março, às 21h30, nossa pequena batatinha estreou nesse mundo, de olhões bem abertos, muito esperta e muito atenta a tudo.
Hoje quem escreve no blog é o pai dessa pequena garota chamada Alice.
Durante bons meses, essa menina teve sua vida monitorada e registrada por chutes, exames, médicos e pelo delicioso blog que a mamãe criou.
As fotos da baixinha, batatinha e *inha já dizem mais do que as frases babadas do pai.
É uma mocinha muito linda que gosta de ficar encarando o pai com um olhão arregalado que já fez o moço aqui chorar uma vez O_o.
Adoro “arte” feita com desenho infantil! Claro que isso tem muito mais graça quando se trata dos desenhos dos próprios pimpolhos, mas eu sempre acho o resultado muito bom, independente do autor da obra :)
A bolsa acima é o projeto da segunda-feira do thelongthread.com, onde a Ellen propõe aplicar por ai os desenhos da criançada. Muito, muito legal :)
O projeto me lembrou de outra moça-artista, a Lizette Greco, que faz bonecos a partir dos desenhos dos pimpolhos.
Já as mais radicais podem fazer como a Lelê, e tatuar o desenho do filhote, com muito orgulho! :)
Bunny, originally uploaded by Lizette Greco.

Nunca fui uma menina de brincar com bonecas que imitavam bebês. Bonecas que choram, fazem pipi, dão risadinha, bonecas que a menina brinca de “mamãe-e-filhinha”, trocar fralda, dar mamadeira. Nunca, nunca brinquei com este tipo de boneca e nem me lembro de ter ganhado uma na vida. Nunca demonstrei interesse.
Por outro lado, era fã de Barbie. O faz-de-conta adulto era beeem mais interessante, eu não tinha que cuidar de uma boneca, ela sabia se cuidar sozinha! Ia trabalhar, tinha sua própria casa, com piscina, cozinha (modernérrima), guarda-roupa caprichado, pares e pares de sapatos, namorados, amigas, enfim, uma vida bem mais interessante!
Depois de adulta, vc começa a ver as criticas sobre a Barbie, que mulher nenhuma tem aquela cintura, aqueles peitos, etc, etc, etc. Quando eu era criança, não estava nem ai para estas coisas, só achava muito mais divertido brincar com a boneca-gente-grande do que com as bonecas-bebês.
Não sei qual vai ser a preferência da Alice, e ela vai escolher o que a atrair mais. Mas enquanto ela não puder escolher, quero poder dar a ela muitas bonecas fofas, de pano, que sejam diferentes e fujam do feijão-com-arroz, como estas bonecas fofas da Marilyn Neuhart, da Rosa, da Claire, da Hillary….
Quem sabe eu também não acabo me animando e fazendo algumas para a Alice? :)
a10, originally uploaded by Vintage Images1.
Não escolhemos o nome Alice por causa do livro, mas as referências são inevitáveis. Quem achou esse Flickr foi o Dani, e achamos graça na imagem. A Alice deve estar se sentindo dessa forma, dentro da barriga :)
Um dos sites que acompanho há mais tempo é o da Rosa. Na época que conheci e que comecei a visitar, era um site convencional, com wallpapers, ícones e outras ilustras, que ela mantinha com a mãe e a irmã, e que se chamava Colheres (e que descobri que ainda existe!).
Isso faz tempo, foi lá pelos idos de 2000. A Rosa começou a blogar, criou seu site. Lá pelos idos de 2002, algo de novo – e grande e muito importante – aconteceu, o que acabou estimulando a Rosa a gerir e gerar novas criações.
A Rosa aparece linkada nesse blog (e não apenas nesse, mas no meu blog original) porque ela sempre foi uma espécie de modelo para mim. Ela é a mulher cujas conquistas pude acompanhar, mesmo que bem de longe. A Rosa tornou-se mãe, não uma, mas duas vezes, de duas meninas lindas, ao mesmo tempo que pôde desenvolver um trabalho lindo, criativo, fazendo pesquisas interessantissimas. Por exemplo, foi com a Rosa que vi, pela primeira vez, o que era um sling.
Pelo trabalho da Rosa, descobri outras tantas pessoas muito talentosas, vi a onda dos crafts crescer, sites maravilhosos como o Etsy surgir.
Ela é uma inspiração para mim, que mostra que as mulheres podem conciliar o ser mãe com sua própria vida, sem que uma anule a outra, mas sim que as coisas se completem. Quer coisa melhor que essa?
Sábado completamos 37 semanas. Daqui 3 semanas, completaremos as 40. O que isso significa? Que o parto está chegando e eu começo a ter alguns frios na barriga – mesmo.
Coisas que antes nem seriam um grande drama começam a dar a maior dúvida. Por exemplo, vc já se pegou pensando sobre o dilema entre permitir ou não uma tricotomia? (Tricotomia é a raspagem dos pêlos pubianos. É, depilação na hora do parto tem outro nome :)
Para ajudar nesse momento, existe o plano de parto. De fato, nem sei se vou usar, mas achei um bom exercício preencher para: 1. saber o que acontece no momento do parto, 2. deixar claro quais são as minhas preferências, mesmo que uma coisa ou outra não dê para seguir, e 3. conhecer melhor como a minha médica trabalha e o que esperar dela na hora H.
Mas percebo que estou bem ansiosa. Ansiosa pela hora do parto, como isso vai ser, o que vai acontecer, e ansiosa para saber como será a vida com a Alice fora da barriga. Ansiosa e TENSA! Ai meus sais, socorro!
Cantinho para registrar os momentos de uma barriga.