Após a Alice nascer, entre todos os empecilhos para sair de casa (leia-se todas as tralhas que a gente leva quando saiu com ela), descobri que não tenho nenhuma blusa amamentação-friendly, tirando uma camisa ou outra. Isso quer dizer que, se ela quiser mamar no meio de um passeio, lá vai em tentar dar um jeito com a blusa que estiver. É um tal de levantar a camiseta, tentar dar um jeito na alça, esse tipo de coisa nem um pouco elegante.
Ai resolvi investir num guarda-roupa amigo do peito! A Flávia bolou a Criando Gente, com uma coleção de blusas muito da bacana, e eu provei todas e adorei. A Flávia ainda quebra um galhão, levando até as mães recém-paridas (ou seja, que saem pouco de casa) os modelitos para a gente experimentar.
Os modelos são bem bonitos e mesmo quando eu parar de amamentar, ainda vou continuar usando (ou vou emprestar para as futuras mamães de mesmo manequim).
Eu aprovei e a Alice provou e aprovou!
Depois de algumas tentativas sem sucesso, conseguimos pela primeira vez colocar a Alice no sling, de maneira que ela ficou confortável. A danada dormiu mais de uma hora no sling, enquanto a mãe almoçava, lia um livro, regava as plantas, escovava os dentes, etc… êh beleza! :D
Isso deve fazer parte daquelas coisas que ninguém conta para a gente, antes de ser mãe/pai. Antes de ser mãe, vc imagina que as fraldas podem vazar, uma vez ou outra. Normal.
Mas depois vc descobre que na entressafra dos tamanhos das fraldas (tipo entre RN e P, entre P e M), o bebê não está num tamanho nem aqui nem ali, e não tem fralda que segure! Alice entrou nessa entressafra agora, e é um tal de lavar roupa, lençol, cobertorzinho, etc, pq toda hora vaza!
Ou isso, ou (outras teorias):
- desaprendemos a fazer uma das poucas coisas que tinhamos um certo domínio aqui, ou seja, a trocar fraldas.
- Alice está mamando mais e consequentemente, fazendo muuuuito mais xixi.
Claro que isso não deve se aplicar a todos os bebês, mas torço para isso passar logo. É muito chato, para a gente e para ela – afinal, quem gosta de ficar se sentindo molhado o tempo todo, e sem poder fazer nada? :P
Se bem que já disseram para a gente que fica pior. Na troca entre P e M, onde o nº 2 fica mais “consistente”, os danos do vazamento são bem piores!
Contei como foi o dia que a Alice nasceu mas, desde então, estava querendo falar mais. Falar sobre a minha frustração da cesárea.
Desde que engravidei, pensava em ter um parto normal. Não era nada muito ousado, eu queria maternidade, anestesia, etc, pq não sou das 10 mais corajosas, mas eu queria normal, pois sabia de todas as vantagens. Logo de cara, no início da gravidez, expressei essa minha vontade para a médica, e recebi um “ok, anotado”. Beleza, e fomos levando.
Por volta da 34º semana, conheci o grupo de discussão do Gama. Não fazia idéia do forte foco em partos naturais, domiciliares e afins. Comecei a participar mais por causa da gravidez e do parto, para ter mais informações. Foi onde eu comecei a enxergar a industria da cesárea.
Não fazia idéia de como as coisas realmente funcionam. Chega a ser cruel a maneira como os obstetras empurram goela abaixo as cesáreas, ignorando os desejos da mãe. O parto normal pode ter campanha do Ministéria da Saúde, todo mundo sabe que é melhor para mãe e para o bebê, mas parece conto da carochinha. Obstetras de convênio fazem cesáreas basicamente (se e) quando a mãe chega parindo no hospital. Se não for o seu caso, esqueça, será uma cesárea. E eu aprendi isso vivendo.
Então, por volta da 34º semana, comecei a ter consciência dessa realidade. Algumas coisas ajudam a identificar estes médicos. Eles concordam com parto normal, mas desconversam ou dizem que é cedo demais para pensar no parto. Eles começam a colocar impecilhos ao parto normal (a médica que disse ok para o normal começou a fazer terrorismo no final da gestação, falando em fórceps e coisas assim). Eles começam a encontrar “probleminhas” (como suposta pressão alta, bacia pequena – !!!). Eu ouvi e vivi estas coisas.
O melhor indicador para mim foi o plano de parto. Levei um para discutir as opções com a médica e basicamente não havia opções. Não havia escolha. Discutir um plano de parto com um médico cesarista é o melhor jeito, na minha opinião, de descobrir que de fato o parto não será da mãe e do bebê, mas será o que o médico quiser.
Infelizmente, se algumas futuras mães descobrem isso e pulam fora dessa barca mesmo quando a gestação já está meio adiantada, eu acabei ficando, por vários motivos, sendo a maior a falta de planejamento financeiro para arcar com uma equipe de médicos humanizados* (chega a ser patético ter que buscar médicos humanizados, mas é o que está acontecendo).
Já chorei minhas mágoas da cesárea. De verdade, minha deprê sobre isso já passou. Ver e conviver com a filhota tão fofa faz a gente esquecer estas coisas, mas o sentimento de que um momento único e especial foi roubado por causa da conveniência do médico é revoltante.
Se conselho fosse bom, eles seriam vendidos, já dizia o ditado. Mas não custa registrar, mais uma vez. A mãe que deseja realmente parir, e não ser parida, precisa buscar médicos que realmente abracem a causa. E infelizmente, dificilmente encontra-se estes médicos nos convênios.
Para quem busca orientação a respeito, não conheço nenhum lugar melhor que o Gama. Muito do que relatei, aprendi com o grupo, e quem se interessa por um caminho “alternativo”**, recomendo que entre em contato com eles!
* médicos “humanizados” são os que olham para o paciente, conversam, analisam, em vez de fazer uma consulta de 10 minutos, baseado em exames de laboratório :P
** coloquei alternativo entre aspas pq, na boa, nascer de cesárea é que deveria ser o caminho alternativo, não o parto normal. Fala sério, né!
Ser mãe de recém-nascido é um trabalho em período integral. Não tem noite, não tem final de semana. Na maior parte do tempo, é uma delicia. Em alguns momentos, é cansativo e vc se sente reduzida a um par de peitos :) Amamentar é uma coisa ótima, eu adoro, mas tem horas que a demanda cansa.
Nosso primeiro mês, até agora, tem sido no seguinte ritmo:
- Alice mama (geralmente) a cada 2/3h (contadas a partir do início da mamada). Em cada mamada, a gente leva mais ou menos 1 hora – a Alice mama, pára um pouco para descansar, depois retoma, troco fralda, etc. Sobram os intervalos (de 1 a 2h entre as mamadas) para dormir, comer, tomar banho, escovar os dentes, fazer as coisas de casa.
Fazendo as contas, a Alice mama umas 8 vezes por dia, o que dá um “trabalho” de mais ou menos 8 horas diárias.
- Consigo cuidar da casa, mas o básico: lavo roupa, faço uma comida muito simples, lavo louça, passo as roupas da Alice, etc. Uma moça vem em casa 1x por semana e dá uma geral, faz a limpeza mais pesada e passa a maior parte das roupas.
- As noites são “picadas”, durmo no máximo 3 horas seguidas. Sou meio dorminhoca, adoro dormir umas 8, 9h seguidas, mas o meu sono conseguiu se ajustar ao ritmo da Alice.
- Na 3º semana, Alice passou a ter cólicas no comecinho da noite, principalmente. Isso também demanda um tempo (às vezes 1 hora, às vezes algumas horas), de colo, de carinho, para dar algum conforto para a mocinha.
Algumas coisas são meio chatinhas, como essa “quarentena” em casa. Primeiro tinha as dores da cesárea, que já passaram. Agora consigo andar e dirigir, por exemplo, sem problemas. Outra coisa é que a Alice é muito novinha para ficar saindo a torto e a direito, e eu sou uma mãe totalmente despreparada para sair com ela, ainda me sinto super insegura.
O isolamento é uma coisa chata. Para quem está acostumado a sair e trabalhar, por exemplo, sinto falta de conversar e conviver com as pessoas. Imagine que gosto mais dos finais de semana e feriados agora do que quando trabalhava! Isso pq nesses dias o maridão fica em casa e a gente recebe as visitas.
Mas já estamos programando as próximas saídas da Alice. De pouco em pouco a gente pega o jeito de passear por ai com a nossa gatinha :)
Desde que a Alice nasceu, tenho ficado bastante em casa, tipo 99% do tempo. Primeiro por causa da cesárea, que exige um tempo de recuperação, e depois porque bebê pequenininho não permite muitos passeios, por vários motivos.
Nessa toada, ter acesso à internet se transformou numa das coisas mais importantes do dia-a-dia. Fora conseguir manter algum contato com as pessoas, bater papo e ler e-mails (ou seja, ter algum contato com a humanidade que fica lá fora), nunca resolver as coisas pela internet foi tão providencial. Coisas tipo comprar algo que vc precisa, fazer a feira (descobrimos um pessoal que entrega produtos orgânicos em casa que é sensacional!), resolver as coisas de banco (ok, internet banking sempre foi fundamental, mas nesses momentos, fica mais importante ainda!).
Se cuidar de bebê pequeno já consome boa parte do dia, fico só pensando o que faziam as mães recém-paridas, antes da invenção da internet…
Em 1 mês…
…ela engordou mais de 700 g
…ela cresceu 4 cm
e nós…
…viramos experts na troca de fraldas
…aprendemos a amamentar a Alice (no começo foi meio complicado, mas pegamos o jeito :)
…cuidamos do umbigo da Alice, que agora está lindo e sem coto
…ainda não aprendemos a usar o sling (preciso aprender a usá-lo, urgentemente!)
…dormimos bem menos que em toda a nossa vida
…quase ficamos surdo com o choro causado pelas cólicas dela
…perdemos alguns bons quilos (8,5 Kg até agora!), só da mãe da Alice
Claro que tem muito mais dessa mocinha, mas isso é assunto para um post bem mais longo :)
Participo de uma comunidade muito interessante, o Gama, sobre parto normal, natural, domiciliar e assuntos correlacionados. Cada vez que uma mãe pari, ela posta o relato de parto, e sempre é muito emocionante ler os relatos. No meu caso, não vai ter relato porque eu não pari, mas fui parida. Isso significa que o parto da Alice foi uma cesárea, e não tivemos que fazer nada, fora ficar deitada numa cama, numa sala gelada, tomando anestesia e litros e litros de soro. Mas mesmo assim, resolvi registrar aqui como foi que a Alice iniciou sua aventura do lado de fora da barriga :)
Tudo começou numa segunda-feira, onde eu imaginava mil coisas para a semana, menos que a Alice já estaria aqui, do lado de fora, com a gente. Nesse dia, de manhã, fomos fazer um ultrassom e um cardiotoco, para acompanhar o estado da pimpolha. Tudo muito bem, exceto por um detalhe: o liquido aminiótico estava um pouco abaixo do mínimo.
Tentei falar com a médica mas não consegui. Falei com a minha mãe, que não viu nada de emergencial na situação, já que todo o resto estava muito bem, obrigado. Dito isso, fiquei na maior tranquilidade, fui trabalhar normalmente, continuando a tentar falar com a minha médica.
Só consegui conversar com ela no final da tarde, quase 18h. A médica achou muito sério o nível do líquido e me mandou ir direto para a maternidade, que teríamos que operar o quanto antes. Claro que desconfiei de tanta urgência, eu sabia que a médica estava só esperando um motivo qualquer para fazer a cesárea. Mas, pelo sim, pelo não, fomos para a maternidade. Detalhe: eram 18h de uma segunda-feira, ou seja, pegamos o maior trânsito para ir da Faria Lima até a Paulista. Ainda por cima, tinhamos que chegar em tempo recorde, já que só havia horário no centro cirurgico às 19h30. Só com helicóptero mesmo, né.
De qualquer forma, lá fomos nós. Dei entrada no hospital, sem nem ter tido tempo de passar em casa e pegar nossas coisas. Nessa hora, contamos com a inestimável ajuda da Andrea, tia da Alice, para ir em casa e buscar nossas malinhas. Ponho camisolão, tiram minha pressão, me preparam, e pronto, lá vamos nós à caminho da sala de cirurgia. Eu estava mega-nervosa, já que nunca na minha vida eu havia feito uma cirurgia, nem tomado anestesia, nem nada. Recebo anestesia, daqui a pouco não sinto mais nada (que coisa estranhaaa!), e alguns minutos depois, vejo a nossa pequena do lado de fora! Mais alguns minutos e escuto o choro dela, tadinha da baixinha! Ela também não esperava nascer naquele dia.
Levou bem mais tempo costurar tudo que abriram do que tirar a baixinha de lá de dentro. A sensação é muito estranha e desconfortável. Eu queria mais era que aquilo acabasse logo, para eu sair daquela sala gelada e ir ver a minha pequena.
Para completar, fiquei umas 3 horas na sala de recuperação, tomando litros e litros de soro. Tomei tanto soro que tinha a impressão de ter saido do parto maior do que quando entrei. Minha impressão não estava tão errada, já que após o parto eu estava com 1 quilo a menos, sendo que apenas a Alice tinha nascido com 2,890 Kg !
No parto também descobrimos porque a Alice não descia e se encaixava: ela estava enrolada no cordão. Isso explica porque, nos exames de toque, ela estava lá em cima, ainda, e porque eu não tinha nenhuma dilatação.
Eu tinha vários receios da cesárea, um deles é que o leite demoraria a descer. Felizmente isso não aconteceu e algumas horas depois, a Alice já estava mamando. Mas sim, a cesárea é bem chata, a mobilidade fica toda limitada, dói e vou levar uns 2, 3 meses para voltar a fazer algum exercício.
Hoje faz 26 dias que a Alice está aqui conosco, do lado de fora da barriga. Eu já estou bem melhor da cirurgia, mas ainda sinto umas pontadas onde foram feitos os cortes. Não posso fazer muito esforço ou nada muito pesado. Mas estamos cada vez melhores, e conviver com a baixinha tem sido uma delícia :)
E foi assim que, numa segunda-feira, dia 9 de março, às 21h30, nossa pequena batatinha estreou nesse mundo, de olhões bem abertos, muito esperta e muito atenta a tudo.
Hoje quem escreve no blog é o pai dessa pequena garota chamada Alice.
Durante bons meses, essa menina teve sua vida monitorada e registrada por chutes, exames, médicos e pelo delicioso blog que a mamãe criou.
As fotos da baixinha, batatinha e *inha já dizem mais do que as frases babadas do pai.
É uma mocinha muito linda que gosta de ficar encarando o pai com um olhão arregalado que já fez o moço aqui chorar uma vez O_o.
Adoro “arte” feita com desenho infantil! Claro que isso tem muito mais graça quando se trata dos desenhos dos próprios pimpolhos, mas eu sempre acho o resultado muito bom, independente do autor da obra :)
A bolsa acima é o projeto da segunda-feira do thelongthread.com, onde a Ellen propõe aplicar por ai os desenhos da criançada. Muito, muito legal :)
O projeto me lembrou de outra moça-artista, a Lizette Greco, que faz bonecos a partir dos desenhos dos pimpolhos.
Já as mais radicais podem fazer como a Lelê, e tatuar o desenho do filhote, com muito orgulho! :)
Bunny, originally uploaded by Lizette Greco.
Cantinho para registrar os momentos de uma barriga.