Provavelmente toda mãe que trabalha fora já passou por uma situação dessas: o dia do surto. Que obviamente não é um dia, mas é uma idéia que vem cozinhando na cabeça há tempos: a de pedir as contas e ser “apenas” mãe. Até que chega um momento que a mãe, estressada, cansada, sobrecarregada, decide ir às vias de fato e toma uma atitude: pede demissão. Só que ai, em vez de ficar mais tranquila, ela começa a ficar mais neuras. Porque ela percebe que isso não vai adiantar nada, ou melhor, que ela vai trocar um problema por outro.

Ser mãe numa cidade feito São Paulo, trabalhar e não ter exatamente muita ajuda no dia-a-dia (família, empregada ou babá) é realmente uma maratona diária. Faz parecer o treinamento da tropa de elite brincadeira de criança (há, quero ver o Capitão Nascimento esquentando a janta com uma bebê esperneante no colo, depois de pegar 1 hora de trânsito para voltar para casa, após um dia bem corrido de trabalho, e depois encarar a louça, a janta dos adultos, a roupa para lavar, a bagunça da casa…).

(Para minha enorme sorte, o maridão ajuda pra caramba. Fico imaginando as pobres mães cujos maridos não fazem nada em casa, não ajudam com os filhos. Ninguém merece né!)

Só sei que essa rotina foi me deixando cada vez mais no stress, até o momento que virei para o chefinho e pedi para sair. A recruta zero aqui não aguentou. Sou mãe mas também sou gente!

Muito papo, muita terapia, e no final conseguimos achar algumas alternativas. E assim dei bye-bye para a minha futura vida de desempregada-e-mãe.

Alguns problemas continuam, como as férias da escola da Alice (a escola tira 5 semanas de férias em julho). Não sei como faremos nesse período, de verdade. Mas cheguei à conclusão que prefiro lidar com estes problemas do que com a falta que o trabalho me faria. E não apenas o trabalho me faria falta (eu posso ser freela, tranquilamente – se é que “tranquilamente” e “freela” são palavras que andam juntas), mas eu fico deprê de trabalhar sozinha. Eu gosto da muvuca da firma!

Fiquei pensando que deveria ter um grupo de ajuda, tipo A.A, que reunisse as mães que trabalham fora, mas do jeito que nenhuma deve ter disponibilidade de horário, esse grupo nunca conseguiria se encontrar…  :P