Então que fiquei empolgada com o blog da Zel e li vários posts, e um deles me chamou bastante a atenção. Um post dela fala sobre o post de outra moça, que comenta um livro de uma escritora francesa. O livro em questão critica o que ela chama de “maternidade naturalista”, defendendo que essa volta à maternidade é, na verdade, uma nova (ou velha?) forma de opressão às mulheres.

Estou comentando um post, que por sua vez resume o livro. Ou seja, com certeza serei rasa, não me cobrem reflexões profundas.

Mas eu confesso que achei o papo todo do livro muito estranho. Na opinião da autora, essa devoção que se cobra da mãe, essa “doação” (e a conseqüente culpa, caso a mãe não atenda a todos os requisitos) é uma nova forma de opressão. Nessa nova “opressão”, a mulher tem que sofrer, se doar, parir com dor, amamentar sem fim, lavar as fraldas não-descartáveis, cozinhar todas as papinhas naturebas dos seus filhos. As mulheres ganharam um novo “chefe”: seus filhos.

Eu acho isso bem estranho. Eu vejo a sociedade muito bem estruturada para as mães que querem trabalhar. Mil e um recursos: mamadeira e leite em pó, creche, berçário, escolinha, babá, empregada, pai, avó. Que essa mãe siga em frente, seja feliz, sem culpa e viva bem com o chefe lá da firma (ou seus clientes, que também são uma espécie de chefe).

Agora, na boa, e a mãe que quer mais é ficar com os filhotes, amamentando em livre demanda? O que eu mais vejo são mães abrindo mão do sonho de acompanhar o crescimento dos seus pequenos, porque tem que ir trabalhar, porque aquele salário faz diferença no orçamento familiar. E ai, e nessas situações, #comofas?

Trabalhar fora é um direito ou uma obrigação? Num país como o Brasil, onde as mulheres representam mão-de-obra barata, pelo menos mais barata do que a masculina, na média, quem lucra com esse nosso “direito”, com essa nossa “liberdade”? Trabalho e garanto meu sustento, mas olho com muita desconfiança para esse discurso.

PS: E só complementando: eu sempre achei que o “feminismo”, entre outras coisas, defendia os direitos da mulher. Se a mulher não tem direito a parir e amamentar, duas atividades essencialmente femininas, o que o “feminismo” desta autora defende? Meus direitos femininos são, na verdade, opressores? Direitos iguais aos homens significa abrir mão dos meus direitos de mulher?

Ressaltando que direito é bem diferente de dever. Eu não sou obrigada a ser mãe ou amamentar. Mas gostaria muito que estes meus direitos fossem respeitados.