Eu sou uma pessoal naturalmente horrorizada, cheguei a essa conclusão. Eu fico horrorizada em saber que bebês de 10 meses sabem a música do backyandigans (escrevi certo o nome disso?) e crianças de 2, 3 anos bebendo nesquik (ou sei lá como chama o “leite rosa”, como descreveu o pai à filha, no supermercado). Pelamordedeus, o leite é rosa e vc vai dar para a sua filha?? Meda!

Alice está quase chegando aos 11 meses. Não entende muito de TV, mantenho ela longe disso o máximo que posso. Mantenho o universo dela longe dos trademarks e copryrights. Ela tem um ou outro brinquedo assim, uma ou outra roupa com uma personagem famosinha estampada, geralmente presentes. Não sou xiita, não vou queimar em praça pública, mas tento sempre escolher o bichinho genérico. O cachorrinho, o gatinho, e por ai vai. Na comida, gosto de escolher tudo fresquinho para ela, de preferência orgânico. Legumes, verduras, carne de boa qualidade, frutinhas. Já me basta o leite em pó, que não consegui substituir por coisa melhor. Mas é a única concessão que faço, dada as circunstâncias.

Mas cuidar de um bebê é tarefa bem mais simples. Somos nós que determinamos tudo, para ela ainda não existe o querer consumir. Mas e quando começar a escolinha pra valer? Vai chegar um momento que ela vai começar a interagir com outras crianças, e como será a relação dela com esta sociedade?

Eu tenho muito medo, na verdade. Sonho com uma Waldorf para a minha pequena. Sem TV, sem produtos industrializados, sem merchandising dentro da escola.

Tem que ache que isso não é preparar a criança para o mundo. Eu discordo. Botar um pequenininho na frente da TV é apresentar um mundo que ela ainda não tem ferramentas para lidar. O que virá primeiro: a inclusão indiscriminada dessa criança num universo de consumo ou o desenvolvimento do senso crítico dela? Eu aposto um picolé que a primeira opção é a que vence.

Para quem é horrorizado feito eu, vale muito a pena ver o documentário “Criança, a alma do negócio”. A gente finalmente conseguiu assistir. Lá no site do Instituto Alana tem os arquivos para download, mas tem no YouTube também, para quem não quiser baixar.

Para quem quer um cheiro, veja o trailer abaixo. A Lúcia também fez uma entrevista com a diretora, aqui.