A comentou sobre o post da Kalu e eu resolvi extender a conversa aqui mesmo, em vez de responder nos comentários.

Eu gostei muito do post da Kalu porque é um texto que eu mesma deveria ter lido mais no começo da minha gestação. Se eu tivesse lido naquela época, muito provavelmente eu teria me informado mais, trocado de obstetra e quem sabe, tido a chance de fazer um parto normal. O que aconteceu comigo eu já vi acontecer com muita mulher por ai, e eu acho que é necessário sim um chacoalhão, um texto provocativo, para ver se tira as mães da inércia.

Assim como eu, muita mulher já caiu no conto do obstetra. Geralmente, ele é o ginecologista que acompanha a mulher já faz um tempo, com quem temos uma relação de confiança. É um médico ok, atencioso, profissional, parece muito confiável. Diz que topa o parto normal, se não houver problemas. Até ai, tudo muito razoável. A gestação vai passando, e como no meu caso, quando os questionamentos começam, você percebe que vai ser difícil que seu parto seja normal. Eu vivi isso e vi esse relato em muitas outras mulheres lá no Gama.

Assim como eu, quando pessoas mais experientes no assunto dizem que o seu médico de confiança não vai fazer parto normal, a não ser que a mulher se mostre uma parideira de marca maior e já chegue parindo no hospital, a mulher se sente meio ofendida. Afinal, sempre houve uma relação de confiança entre ela e o médico, e como outras pessoas se acham no direito e na razão de falar que o seu médico não vai fazer o que vc quer, que haverá uma quebra de confiança? A gente não quer acreditar nisso.

Assim como eu, as mulheres querem acreditar que o obstetra recomenda uma cesárea quando necessárea de verdade, e não pelos motivos mais sem noção. Uma pressão alta qualquer vira pré-eclâmpsia. A mulher tem bacia pequena (como assim!!). O liquído aminiótico reduz um pouco e pronto, o bebê está correndo sérios riscos de vida. Nessa hora, como bem disse a Kalu, que mãe vai querer arriscar a vida do seu filho? Quem vai pagar para ver, quem vai peitar o médico e dizer que ele não está com a razão?

Eu, que me considerava uma pessoa razoavelmente esclarecida, por conta das discussões que acompanho no Gama, além de ter a consultoria da minha mãe, que é GO há mais de 30 anos, não quis peitar isso. Quando a médica me aterrorizou com a história do LA baixo, não tive coragem de contrariar, e lá fui eu para a cesárea. Mesmo o restante dos exames estando ok.

O texto dela é ótimo porque esclarece a muitas mulheres quais são os procedimentos padrão de um parto normal dentro de um hospital. Muitas desejam o parto normal, mas não fazem idéia da série de procedimentos desagradáveis que acontecem, como a episiotomia, a lavagem intentinal. Muitas passam por um normal, presas a uma cama de hospital, tomando soro e sentindo dor, e claro que vão sair de lá preferindo mil vezes uma cesárea. Por isso a importância de se esclarecer que há outras possibilidades, como um parto normal humanizado.

Ela esclarece também os riscos da cesárea, que parece tão segura. Os médicos raramente falam das chances de hemorragia e complicações para a mulher e o bebê, e todos acham que cesárea é simples e algo absolutamente seguro.

Muitas nem questionam quando o médico diz que só espera até a 38º, 39º e dai marca a cesárea. Há algum motivo específico para não esperar pelo menos as 40 semanas? Sem que haja algum problema real, os médicos acabam marcando antes que é para ter mais garantia de que a mulher não vai entrar em trabalho de parto (eu ouvi isso de um médico de confiança). E as mulheres não se dão conta e acham que isso é realmente o melhor para o bebê. Alguém esclareceu que adiantar o nascimento pode trazer riscos ao bebê?

No fundo, como o filho vem ao mundo não torna ninguém mais ou menos mãe, como a Kalu mesmo diz nos comentários e eu concordo plenamente. Eu já me senti mal com isso, e já superei isso também. Mas continuo a sustentar que isso não dá o direito a nenhum médico de privar uma mulher saudável, com todas as condições de parir, de tentar seu parto.

(Toda vez que vejo a minha cicatriz, que sinto uma pontada, que lembro que ainda não tenho sensibilidade na região onde foi feito o corte – outra coisa que ninguém me contou sobre a cesárea :P, que lembro que ainda não posso fazer certos exercícios, toda vez que lembro dessas coisas eu desconjuro a dita-cuja da médica que me levou para a cirurgia!)

Por isso acho importante o texto da Kalu. Quem sabe ela consegue dar uma chacoalhada nas mulheres que ainda têm chance de fugir dos seus médicos com pinta de bonzinhos.