Amamentar não é um ato de amor é um texto muito bacana da Taís Vinha. Quando li pensei: que coragem escrever um texto desses, já que se bate tanto da tecla oposta. Eu diria que amamentar também é um ato de amor, mas não só. Existem outras tantas mil maneiras de expressar esse amor.

A verdade é que amamentar, mesmo para quem não tem nenhum impedimento maior, não é fácil, pelo menos para uma boa parte das mulheres. Bicos que não colaboram, empedramento, mastite, rachaduras, tem uma série de coisas que podem acontecer, fora o próprio cansaço que às vezes bate (sim, tem momentos no meio da noite, quando estou caindo de sono, que penso o quão seria mais fácil uma mamadeira!).

Aqui, não tivemos grandes problemas, fora aquele momento onde o leite “desce” pra valer e os peitos ficam cheios demais. Nessa fase bateu um desespero, o peito ficou mega-cheio, dolorido, quase empedrou. O que me salvou foi uma bombinha manual de leite, onde eu tirava o excesso após as mamadas (e às vezes antes das mamadas, quando o peito estava muito cheio e a Alice nem conseguia pegar). E muita paciência, foram duas semanas onde eu passava o dia amamentando e tirando o excesso. Depois disso, a produção de leite se ajustou à fome da Alice e vivemos felizes :)

Ajudou muito o fato da Alice ter nascido numa maternidade onde o pessoal apoia bastante a amamentação, e vinham me ajudar em todas as mamadas, para ensinar a pega, essas coisas. Lá também eles não ofereciam mamadeira para os recém-nascidos, a não ser em casos em que o médico havia prescrevido.

Para quem vai ser mamãe, minhas sugestões para amamentar com sucesso:

- se preparar durante a gravidez: usei aquele velho truque da vovó, que nem todos recomendam, de passar uma bucha vegetal nos mamilos, durante o banho. Quem puder, tomar sol neles também faz um bem danado.

- conversar com o obstetra (desde que ele não seja uma porta no assunto), para ver se os bicos serão um problema ou não. Se eles forem invertidos ou tiver algum formato que possa dificultar, conversar sobre o que pode ser feito. Tem mil e uma traquitanas hj em dia para ajudar, como aquelas conchas de silicone.

- já escolher um pediatra defensor da amamentação. Um que vai analisar a pega, não entuchar leite de vaca se o ganho de peso não estiver dentro do padrão, que não vem com essa balela de leite fraco, ou seja, um que vai querer insistir na amamentação antes de realmente partir para outras opções.

- veja se a maternidade onde seu rebento vai nascer estimula o aleitamento. Se não, deixe muito claro que vc não quer que seja oferecido mamadeira enquanto estiver lá, a não ser que isso seja conversado com vc, seu médico e pediatra.

Depois que o bebê nascer:

- insistir na pega correta. No começo dá trabalho, mas é o que vai garantir que os bicos não rachem. Bico rachado é demais de uó e dolorido e fica muito difícil continuar a amamentar.

- fique preparada: veja se há algum grupo de apoio à amamentação por perto. Aqui em São Paulo tem a Matrice, com encontros todas as sextas, além do grupo de discussão, e no Rio, tem as Amigas do Peito. Elas são ótimas e se vc tiver alguma dificuldade, elas tem a maior boa vontade de ajudar.

- bancos de leite também oferecem ajuda, saiba onde tem um perto de vc.

- no começo, ajudou muito o Lansinoh, até os bicos estarem mais acostumados à sucção do bebê.

No começo sempre é meio complicado, tanto a mãe quanto o bebê estão aprendendo mas, como dizem que a pratica leva à perfeição, não esquente. Amamentar é algo que a gente faz tantas vezes por dia que logo pega a prática :)