A Ana tocou num ponto que tem deixado a gente aqui muito na dúvida. Na verdade, praticamente não há dúvidas: a gente detesta a idéia da chupeta. Porém, a Alice é uma potencial fã de chupeta. Ela quer mamar de tudo: além do peito, claro, a mão, a nossa blusa, a manga do macacão, o que estiver ao alcance da boquinha. Dei o remédio no tal dosador e foi incrível a reação dela, a paz dela sugando aquilo (claro, não pelo remédio, mas pela chupeta).

Dado o nosso desespero (ontem as cólicas foram até as 2h30 da madruga :P), hoje resolvi comprar uma chupeta. Me senti uma traidora da causa! Uma das poucas certezas que sempre tive é que não daria chupeta para filho meu. Para completar meu sentimento de culpa, nas embalagens vem o seguinte aviso:

O Ministério da Saúde adverte:
A criança que mama no peito não necessita de mamadeira, bico ou chupeta. O uso de mamadeira, bico ou chupeta prejudica o aleitamento materno.”

Só faltou vir aquelas fotos horrendas, e eu estava me sentindo praticamente comprando um maço de cigarros para a minha filha.

De quebra, tinha lido recentemente um texto sobre a dita cuja que a Fabiola Cassab, do Matrice, tinha enviado:

Coisas que não são citadas na bula da chupeta:

·         Bico artificial pode interferir no aprendizado de sucção do bebê.
·         Alguns bebês podem desenvolver uma preferência pelo bico artificial.
·         Bebês que chupam chupeta tendem a ser amamentados menos vezes ao dia.
·         Diminuição na sucção e na retirada do leite materno levam à redução de sua produção.
·         Parece haver uma relação dose-resposta entre freqüência de uso da chupeta e duração da amamentação (Victora et al. 1993).
·         O bb deixa de respirar pelo nariz, fazendo assim a respiração oral. Esta respiração faz com que: o ar não seja filtrado pelos pêlos nasais e ainda o ar entra frio (pois uma das funções é aquecer o ar) e tb não umedece este ar, causando assim todas as “ites” que existem por ai.
·         Confunde o movimento da mamada.
·         Bicos artificiais alteram os padrões de respiração e sucção do bebê (expiração prolongada, freqüência respiratória e saturação de oxigênio reduzidos).
·         Cáries de alimentação em crianças são mais comuns com o uso de mamadeiras e chupetas.
·         Má oclusão dental é mais comum em crianças alimentadas com mamadeira sendo maior o efeito com o uso prolongado (risco 1,8 vezes maior).
·         Maior incidência de otite média aguda e recorrente, tanto com o uso de mamadeiras quanto de chupetas.
·         Possível aumento na incidência de candidíase oral e de parasitoses intestinais.
·         Uso de materiais potencialmente carcinogênicos (N-nitrosaminas).
·         Possibilidade de sufocação da criança.
·         Mordidas abertas.
·         O palato (céu da boca) sobe e diminui a passagem de ar pelo nariz.
·         Pode causar apnéia noturna.

CURIOSIDADE

“Nos EUA chupetas recebem o nome de “pacifiers”que significa “pacificadores”, ou “ me deixa em paz” O lactente no seu primeiro ano de vida esta na fase oral do seu desenvolvimento psicossexual e a amamentação em livre demanda (sem horários) é capaz de suprir por si só esta necessidade de sugar, a chamada sucção não nutritiva.
Moffat (1963) afirmou que o mais comum de todos os hábitos bucais é o da sucção de polegar. No período do nascimento até dois anos, a sucção é uma ação normal para a sobrevivência dos BBS necessitando sugar vigorosamente para retirar o leite do peito da mãe, tendo depois da alimentação, ambos os instintos de fome e sucção satisfeito.”

Texto:
ENFOQUE  de Gabriela D. de Carvalho

Ou seja, estamos com a dita-cuja aqui, mas ainda não tive coragem de dar. E espero sinceramente continuar sem…