Eu tinha um dilema, sobre o que faria após a Alice nascer. Voltaria a trabalhar ou iria encarar uma rotina de mãe e dona de casa e possíveis frilas? Os dois lados tem seus prós e contras (gritantes, diga-se de passagem).

Trabalhar significa ter uma renda garantida e portanto, poder (razoavelmente) planejar o futuro, seja próximo, seja para os próximos anos. Significa ter uma carreira, almejar metas. Mas também significa não estar tão presente, não acompanhar o crescimento da baby como gostaria, deixá-la com alguém estranho ou em um berçário o dia todo.

Não trabalhar significa estar presente em todos os momentos, acompanhar cada pequena e grande evolução e aprendizado. Também significa não ter muita certeza do quanto pode contar de renda, não saber ao certo como planejar as coisas. Claro que isso não vale para todo mundo, mas já tive minha vivência de frilas por um ano e meio, e os altos (não exatamente muito altos) e baixos e as dores de cabeça não foram feitos para mim. Tem seu lado bom, mas no geral sentia falta do trabalho e da convivência com as outras pessoas, e também ficava ansiosa demais com a situação financeira não muito certa. De certo mesmo, só as contas que chegam todo mês. Também gosto da minha independência financeira, e depender de alguém, mesmo que esse alguém seja a pessoa que mais amo, não é uma idéia muito confortável.

Claro que são análises do pré-nascimento. Uma coisa é racionalizar quando tudo que tenho é uma barriga saltitante. Outra coisa é pensar da mesma forma segurando uma coisinha fofa e saltitante.

A dose de realidade é que sem trabalho, fica mais difícil planejar um futuro, inclusive um futuro para a Alice.

A parte bizarra é pensar que esse tipo de dilema nem deveria mais nos importunar, afinal nossas mães já passaram por isso, foram trabalhar e nos viramos muito bem, obrigada. Tornamo-nos adultos saudáveis e sem grandes traumas. Trinta, quarenta anos depois das revoluções pelas quais nossas mães passaram, brigando por seu lugar ao sol, me sinto quase uma traidora da causa :P